De 10 a 21 de novembro os olhos do mundo se voltam para a cidade de Belém, capital do Pará, onde será realizada a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). Já confirmaram presença 198 países signatários de tratados internacionais sobre o tema. A expectativa é receber cerca de 50 mil pessoas, entre delegados dos países, negociadores, jornalistas, além de 15 mil representantes de movimentos sociais. O principal objetivo é definir medidas necessárias para limitar o aumento da temperatura do planeta a 1,5ºC até o final deste século. Neste contexto, as empresas de base florestal possuem um grande potencial de contribuição e vão marcar presença na COP30.
O diretor-executivo da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF), Wilson Andrade, vai integrar a delegação brasileira e, como delegado oficial, terá acesso à Zona Azul da Conferência, conforme e-mail recebido da Presidência da República. Ele viaja no domingo, dia 9/11, véspera da abertura da conferência.
A Zona Azul é uma área restrita onde só podem permanecer delegações oficiais, chefes de Estado, observadores e imprensa credenciada. “É o espaço onde acontecerão as grandes discussões e as definições das políticas climáticas internacionais a serem adotadas”, explica Andrade. Entre os temas a serem debatidos na Zona Azul estão: Floresta, Água e Bioeconomia: Inovação e Sustentabilidade para Enfrentar a Urgência Climática; e As florestas brasileiras como parte essencial no combate às mudanças climáticas. A outra área da COP30, a Zona Verde, vai reunir sociedade civil, instituições públicas e privadas, além de líderes globais.
O diretor-executivo estará também em outras atividades com os representantes de instituições da Bahia, como a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), a Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb) e a Associação Comercial da Bahia (ACB), das representações nacionais Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), além da Embaixada da Finlândia (que tem um pavilhão especial na COP) e da estrutura da cúpula do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que mantém uma central de apoio às câmaras setoriais (especialmente às que Andrade participa: Câmara Setorial de Fibras Naturais e Câmara Setorial de Florestas Plantadas).
A ABAF também estará cooperando com o time de especialistas da Braskem que vai participar de painéis e discussões que englobam temas como bioeconomia brasileira e produtos renováveis como vetores estratégicos para a transição de baixo carbono. “Tudo isso para participar e selecionar as melhores oportunidades de diálogo”, completa.
Reconhecido por sua atuação na agenda de sustentabilidade e por integrar a delegação brasileira da COP30, o diretor executivo da ABAF, Wilson Andrade, participou do II Fórum Conexão ESG 2025 — realizado em 05/11 pela Band Bahia, em Salvador (BA) —, um dos eventos preparatórios para a Conferência, que reuniu lideranças e especialistas para debater os desafios e oportunidades da agenda climática global.
Para Andrade esta é uma oportunidade única para falar sobre a importância do setor brasileiro de árvores cultivadas para fins industriais e para restauração dos 80 milhões de hectares de áreas degradadas, sendo 10% apenas na Bahia. “O setor se transformou em uma potência socioeconômica que une produtividade, conservação ambiental e inovação tecnológica”, avalia Andrade.
Impactos positivos
As empresas de base florestal são uma fonte propulsora da economia e também trazem vantagens sociais e ambientais. Segundo dados da ABAF, as áreas de plantio no Brasil somam 10,5 milhões de hectares e, paralelamente, o setor ainda conserva outros 7,01 milhões de hectares de vegetação nativa — uma área superior ao território da Bélgica e da Suíça juntos. O setor de árvores cultivadas para fins industriais representa 1% do PIB brasileiro.
Na Bahia, a potência do setor também é significativa. São 700 mil hectares de área plantada de eucalipto e 400 mil hectares de área nativa preservada. Em 2024 o setor foi responsável por 4% da arrecadação total do estado (R$5,5 bilhões) e 6% do PIB da Bahia (R$24,7 bilhões). Além disso, somente na Bahia, o setor gera 230 mil empregos diretos e indiretos.
Andrade faz questão de ressaltar, também, a contribuição que o setor gera para o meio ambiente. “Na Bahia são plantadas, diariamente, 280 mil árvores. No Brasil esse plantio é de 1,8 milhão de árvores por dia. Além disso, os plantios florestais são feitos em áreas já antropizadas, com zero desmatamento”, afirma. Segundo dados da ABAF o resultado desse plantio (e das áreas de preservação) é um estoque de carbono de 4,9 bilhões de toneladas, no Brasil. “Plantar árvores é uma das opções mais amigáveis para o meio ambiente e a biodiversidade, além de ser uma fonte propulsora da economia. É isso que vamos demonstrar e defender na COP30”, garante.
Segundo dados da CNA, o setor agropecuário tem papel fundamental na solução dos problemas, já que das 166 NDCs estabelecidas, 141 incluem ações voltadas à agricultura. Nesse ponto a CNA reforça o compromisso do setor com a promoção da agropecuária de baixo carbono e com a implementação do Código Florestal.
“A COP de Belém vai ser a COP da implementação das novas metas, já estabelecidas no Acordo de Paris, e absolutamente necessárias para que alcancemos um resultado efetivo na redução dos efeitos da crise climática”, avalia Wilson Andrade. Em 2015 o Acordo de Paris estabeleceu como meta o destino de 100 bilhões de dólares anuais voltados para ações de mitigação e adaptação. Mas a COP29, realizada em 2024 no Azerbaijão, estabeleceu um aumento significativo da verba destinada a ações climáticas: USD 300 bilhões anuais até 2035, com liderança dos países envolvidos e USD1.3 trilhão anuais até 2035, envolvendo todos os países. Como chegar a esse patamar é um dos itens a serem apresentados em Belém. Wilson Andrade reconhece que as mudanças climáticas exigem decisões e mudanças mais urgentes. “Vamos participar da COP 30 com a certeza de que os líderes dos países terão a responsabilidade de fazer o mundo menos quente. A hora é de arregaçar as mangas e trabalhar”, conclui.
Wilson Andrade*
+55 71 98801-3000 / wilsonandrade@terra.com.br
Empresário e economista com vasta experiência nas áreas de fusões e aquisições empresariais, relações internacionais, comércio exterior, indústria e agronegócio, Wilson Andrade tem presidido várias entidades setoriais no Brasil e no exterior. Desde 1977 se dedica ao setor de fibras naturais e desde 2011 também ao setor florestal.
Atividades atuais: Presidente da Câmara Setorial de Fibras Naturais do Ministério da Agricultura (MAPA); Vice-presidente (Presidente em 2017/2020) do Conselho Consultivo (CC) do Fundo Comum de Commodities (CFC) da Organização das Nações Unidas (ONU); Presidente do Sindicato das Indústrias de Fibras Naturais da Bahia (Sindifibras); Presidente da International Natural Fiber Organization (INFO-Amsterdam); Presidente do Grupo Intergovernamental de Fibras Naturais da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO); Diretor Executivo da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF); Cônsul Honorário Emérito da Finlândia; Diretor Regional Nordeste da Finncham; Membro Nato do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia (ACB); Diretor e Presidente do Conselho de Comércio Exterior e Relações Internacionais (COMEX) da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).
* Wilson Andrade está disponível para entrevistas.












